A gira macumbística da Filosofia I

05 fevereiro, 2020

A gira macumbística da Filosofia I

Por Rafael Haddock-Lobo, na Revista Cultparceira editorial de Outras Palavras

 

Meu pai veio da Aruanda e a nossa mãe é Iansã.
Ô, gira, deixa a gira girar.

Em 1977, Roberto Gomes publicava seu primeiro livro, Crítica da razão tupiniquim, no qual apresentava algumas sérias provocações à produção filosófica brasileira. A importância do livro é tanta, embora aparentemente ignorada pela comunidade filosófica, que Darcy Ribeiro chegou a afirmar, quando do seu lançamento, que o Brasil teria voltado, afinal, a filosofar. Dois anos depois, em 1979, Gerd Bornheim, filósofo brasileiro e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), publicou o ensaio “Filosofia e realidade nacional”: defendia que uma filosofia dita brasileira precisa ser substantiva, e não meramente adjetiva. Isso quer dizer que não basta produzir uma filosofia em território nacional para dizer que no Brasil se faz filosofia brasileira.

Gerd Bornheim chama atenção de que é preciso algo mais para que façamos uma filosofia brasileira – fato para o qual o provocativo livro de Roberto Gomes já atentara antes. Ambos apontam que a filosofia precisa se debruçar sobre a singularidade de nossas questões (múltiplas, diversas, plurais) e abandonar as ideias de neutralidade e universalidade que, junto com a colonização, chegam em nossas academias de contrabando. Sem isso, não conseguiremos abandonar seu patamar elitista e ter algum contato real com aquilo que, das ruas, provoca o verdadeiro pensamento.

É nesse sentido que venho tentando afirmar que a filosofia brasileira, para ser digna desse nome, precisa ser uma filosofia popular brasileira. Uma filosofia produzida com base em uma experimentação efetiva dos saberes e culturas produzidos por aquilo que a elite chama de “popular”. É claro que esses saberes são elaborados independentemente da academia, mas meu intuito é, justamente, mostrar o quanto esta perde ao não se conectar com a potente produção que se encontra em andamento nas ruas.

Diante dessa pluralidade, ou dessa multiplicidade de vozes e sotaques, uma filosofia “brasileira” seria aquela que, sem clamor identitário ou nacional, assumiria perspectivas dessas vozes e desses sotaques, a fim de produzir um pensamento que emerja dessas experiências. Buscando reunir esses elementos, passeando pelos pensamentos dxs grandes filósofxs do Candomblé (como Mãe Beata de Iemanjá, Mãe Stella de Oxóssi, Omindarewa, Professor Agenor); de filósofxs afro-brasileirxs (como Sueli Carneiro, Abdias Nascimento, Lélia Gonzalez, Nego Bispo, Uã Flor do Nascimento, Renato Noguera, Marcelo Moraes); de filósofxs ameríndixs (como Davi KopenawaAilton Krenak, Tonkire Akrãtikatêjê, José Urutau Guajajara, Sandra Guarani Nhandewa), acabo me encontrando com dois pensadores que, juntos ou separados, me ajudam hoje a recolocar essa constante provocação endereçada à filosofia. São eles Luiz Antonio Simas, um filósofo-historiador (das ruas), e Luiz Rufino, um filósofo-pedagogo (das encruzilhadas), cuja produção intelectual é preciosa para pensar uma vez mais o que seria uma filosofia brasileira, através justamente de uma relação imprescindível entre filosofia e macumba.

Eles nos chamam a atenção para o fato de que tal debruçar sobre a cultura popular brasileira só pode acontecer se o filósofo, abandonando seus escritórios, suas bibliotecas, e mesmo suas salas de aula, pegar seu caderninho de anotações, como fizeram tão bem Walter Benjamin e Guimarães Rosa, e sair dos muros das universidades e se dirigir às ruas, aberto aos encontros que as encruzilhadas propiciam. Esse movimento de saída da academia às ruas, que poderia ser compreendido como um giro ético-político tal como parece acontecer na filosofia ocidental contemporânea, parece ter uma configuração um pouco diferente quando se dá em nossas terras.

Como somos produtos da colonialidade, isto é, desde a colonização do pensamento até o assassinato de habitantes nativos, sequestro, escravização e estupros de negros, esse giro ético-político certamente se dá de modo diferente em terras tupiniquins: aqui é preciso promover o giro a partir daquilo que é, ao mesmo tempo, mais próprio, mais comum, mais banal, mas também mais escondido, mais temido, mas causador de vergonha, que, junto a Rufino e Simas, chamo de macumba. Se o termo pejorativo macumba é usado como ofensa, para diminuir os saberes das religiosidades africanas e ameríndias que se encruzam em nosso solo, devemos, seguindo a performatividade queer, potencializar tal termo para extrair dele o máximo, a fim de afirmar a relevância epistemológica, estética, ética e política das macumbas.

Macumba, então, passa a ser pensada na perspectiva de uma filosofia da cultura popular brasileira, com base não apenas nas práticas religiosas afro-ameríndias, como os candomblés, as umbandas, os batuques, os catimbós, as juremas, os tambores de minas, mas também das capoeiras, dos sambas de roda, dos fundos de quintal, dos jongos e de todas as rodas que promovem outras epistemologias e que, por serem de fato populares, isto é, originárias das ruas, são por isso mesmo revolucionárias.

Entretanto, um giro macumbístico como esse que ocorreria ao Sul, que é certamente tão ético e político como o ocidental ou mais, porque é também poético e epistemológico, não pode tão somente tomar a forma de um giro, no sentido de reviravolta, virada ou tantos outros nomes que se dá a um novo rumo de certo pensamento. Como me lembrou Rodrigo do Amaral Ferreira, se falo de giro macumbístico, o que preciso marcar é que tal giro se transforma em gira.

A gira, o feminino do giro, sua feição mulher, que, não apenas gira como o giro no sentido de mudar, desviar, promover deslocamentos, mas que também gira como a festa, a roda, o encontro que abre os caminhos e que é marcada pelo termo quimbundo njira. Falo, portanto, de uma gira macumbística da filosofia brasileira, gira através da qual a filosofia brasileira, antes apenas adjetivada como uma produção do território nacional, pode vir a encarnar a brasilidade das ruas, tornar-se substantivo produzido por corpos, músicas, sonoridades, cores, espíritos, cheiros e tantas outras coisas que jamais compreenderá nossa vã academia.

E esse “jamais compreender” é, aqui, imperativo, pois a ideia de compreensão, atividade unicamente mental, é o que impede a própria relação com o conhecimento macumbeiro, que precisa ser sentido pelo corpo como um todo, experimentado por sentidos e razões múltiplas para que, em vez de ser compreendido, prendido, apreendido, aprendido na forma de sujeito e objeto, ele seja incorporado, tateado, degustado, cheirado, ouvido, cantado. Só assim ele poderá baixar, ainda que sempre provisória e precariamente, assombrando-nos e sendo, tal conhecimento, muito mais o “sujeito” dessa relação.

Por fim, ao contrário de Hegel, que afirma que o Espírito se fenomenaliza por meio de diversas e subsequentes etapas arquitetadas pela Razão, afirmo que os espíritos baixam através de diferentes giras, sem ordem nem razão prévias, guiadas apenas pelo imperativo do “deixa vir quem tem de vir” – como dizia minha falecida mãe de santo Concheta Perroni. É por essa razão que essa gira macumbística força a filosofia a se constituir como uma espécie de “empirismo radical”, no qual a hipérbole da noção de experiência é tamanha que os próprios lugares de sujeito e objeto, de consciência e mundo, ou qualquer outro dualismo epistemológico, encruzam-se de tal maneira que não podemos mais definir com precisão os limites entre o dentro e o fora, mas apenas marcar o encontro no coração da encruzilhada.

E assim, só assim, a filosofia, em vez de barrar ou atrapalhar o que vem das ruas, pode deixar a gira girar – imperativo, enfim, de uma filosofia popular brasileira.

Rafael Haddock-Lobo é doutor em Filosofia pela PUC-Rio e professor do Departamento de Filosofia da UFRJ e da UERJ


Como organizar uma feira de artesanato

04 fevereiro, 2020

Como organizar uma feira de artesanato

Fonte: https://www.montarumnegocio.com/como-organizar-uma-feira-de-artesanato/

É claro que para ter sucesso de verdade e fazer com que esse negócio seja lucrativo, você precisa muito mais do que só ler algumas informações: é preciso estar disposto a trabalhar duro e colocar tudo isso aqui em prática.

O que eu posso te dizer é que esse é um negócio que tem movimentado bem em todo o país e que com um bom planejamento, uma boa estratégia e muita força de vontade, você tem chances sim de ter um bom resultado.

A partir dessa leitura você terá a oportunidade de tirar o seu sonho do travesseiro e transformá-lo em realidade! Quero te mostrar que se tem tanta gente por aí que consegue, você também pode!

Então vem comigo, aprenda todas as dicas de como organizar uma feira de artesanato e comece a trabalhar o quanto antes.

Essas feirinhas estão em alta hoje em dia!


Uma das coisas mais importantes que você precisa saber é que vender artesanato dá dinheiro e que hoje em dia esse tipo de feira se transformou em um evento que reúne famílias inteiras e dá muito certo!

Aqui na cidade onde eu moro existem feiras que acontecem sempre, só que para atrair a população elas oferecem outros atrativos além dos artesanatos em si: é possível encontrar comida, doces, brinquedos para as crianças…

As pessoas adoram ir para lugares onde encontram várias coisas bem bonitas e com um preço mais acessível. Melhor ainda se enquanto elas fazem isso estão comendo algo gostoso, em um ambiente divertido e familiar.

Saber como organizar uma feira de artesanato pode significar, em algumas situações, que você precisa sair da caixinha para chamar a atenção de mais pessoas e expandir o seu negócio.

Eu te darei dicas para fazer isso também, mas é você que precisa avaliar, de acordo com a sua situação e realidade, de acordo com o mercado da sua região, se é melhor focar só no artesanato ou se vale à pena agregar valor nesse sentido.

Como organizar uma feira de artesanato e ganhar dinheiro: 6 dicas!


como organizar uma feira de artesanato

Separei seis dicas para montar uma feira de artesanato do zero. O mais interessante é que são dicas simples e bem lógicas, mas por algum motivo a gente fica esperando planos mirabolantes para colocar objetivos em prática.

Executar o simples, o óbvio, na maioria das vezes é o único caminho para gente alcançar o sucesso e eu espero que você aproveite esses óbvios que eu trouxe para te relembrar.

Acredito que a dica mais importante é o amor pelo que você está planejando! Quando a gente quer muito fazer alguma coisa e tem amor por isso, envolvemos o universo inteiro para nos dar uma ajudinha.

Mesmo que seja difícil em algumas situações, mesmo que tenham desafios, mesmo que seja um trabalhão daqueles, as coisas acabam se ajeitando no final e tudo dá certo. Espero que aconteça assim com você também.

Então, vamos ver como organizar uma feira de artesanato?

#1 – Defina o seu público alvo e escolha o local

Essa sempre é a primeira decisão de quando você quer montar um evento. Para quem ele vai ser direcionado? Qual tipo de artesanato eu quero trabalhar? Quem é que vai se interessar por ele?

Definir o seu público alvo vai ajudar você a preparar o evento que vai atingir ele em cheio! Isso também vai colaborar muito na hora da identificação do local certo – afinal, precisa ser onde esse público está.

Tenha muito cuidado e paciência nessas questões porque elas têm o poder de influenciar todo o seu negócio – para o bem ou para o mal.

#2 – Entre em contato com possíveis expositores

Você sabe bem que muita gente tem optado por trabalhar em casa com artesanato e uma feira é a oportunidade que essas pessoas tem de expor o produto para mais pessoas e ganhar um dinheiro a mais.

É por isso que o seu segundo passo vai ser ir atrás dessas pessoas. Você pode começar com os seus conhecidos, com as pessoas do seu bairro, mas pode ir aos poucos indo atrás daquelas que postam seus produtos nas redes sociais, por exemplo.

O importante é encontrar quem trabalha também com amor e que tem produtos bonitos e dentro do segmento para atender o seu público alvo. Produtos de qualidade vão influenciar a experiência do seu cliente.

#3 – Não esqueça de definir os valores para aluguel do seu espaço

Talvez essa seja a parte mais chata, para algumas pessoas, dessa minha lista de como organizar uma feira de artesanato, mas ela é muito importante. Lembre-se que mesmo sendo por amor, o seu negócio precisa te dar lucros, você precisa ganhar!

Para isso você precisa definir quantos expositores estarão presentes no seu negócio e qual será o valor que eles pagarão por esse aluguel.

Minha dica é que você primeiro saiba todos os custos da sua feira de artesanato e tenha noção do quanto é ideal lucrar. A partir disso você divide por todos, mas lembrando que não pode ser um valor exorbitante: afinal o negócio precisa ser bom para os expositores.

Trabalhe com um valor justo e atrativo para essas pessoas, muitas estão começando um novo negócio, assim como você.

#4 – Tenha um layout arrumado e bem dividido

Esse é outro ponto importante! O seu espaço precisa ser bem dividido, arrumado (mesmo que seja bem simples) e acolhedor. Por isso você precisa, antes de sair montando de qualquer jeito, pensar e desenhar como isso acontecerá.

Pense na experiência no seu público, pense como consumidor e crie um passo a passo que dê a ele as melhores experiências. Isso vai fazer total diferença no seu resultado final.

#5 – Divulgue sua feira!

Não é só saber como organizar uma feira de artesanato que vai te dar dinheiro, você precisa fazer com que as pessoas saibam sobre ela e tenham interesse em visita-la. Esse é um grande desafio!

É por isso que você precisa separar uma verba só para investir pesado na divulgação do seu negócio. Sabendo quem é o seu público alvo essa tarefa fica mais fácil, mas você precisa aproveitar todas as oportunidades possíveis.

Divulgue na rádio da sua cidade, em carros de som, coloque outdoor e, principalmente, divulgue muito nas redes sociais.

Se você conseguir fazer um bom trabalho com a divulgação da sua feira, os seus resultados serão positivos, com certeza!

#6 – Agregue valor ao evento

Isso aqui tem um pouco a ver do que eu falei mais acima no texto. A partir do momento que você sai do comum e coloca outros elementos na sua feira, como comidas, brinquedos para as crianças e qualquer outra coisa assim, você acaba atraindo mais pessoas, o que aumenta as possibilidades de venda.

É claro que você não precisa, de primeira, fazer um evento com tudo que existe por aí, mas ao menos avalie se aí onde você quer montar teria espaço para esse tipo de coisa e se a resposta do seu público seria positiva.

O trabalho será o mesmo e é bem provável que o retorno financeiro seja muito maior. Coloque tudo na ponta do lápis, pesquise e decida de acordo com as suas possibilidades.

Monte logo a sua feira de artesanato!


Você não só já sabe como organizar uma feira de artesanato, como já entendeu que é um negócio que está em alta e que pode dar muito dinheiro. Então me diz, vai esperar mais o quê?


Como Participar de Feiras de Artesanato

02 fevereiro, 2020

Como Participar de Feiras de Artesanato

As feiras de artesanato envolvem muitos aspectos que podem proporcionar êxito à carreira dos artesãos. Listamos alguns deles para que você possa entender a importância desses eventos:

1. Nessas feiras você terá acesso a novas ideias e tendências para incrementar, melhorar e inspirar o seu trabalho;

2. É uma oportunidade de expor as suas obras para uma grande quantidade de pessoas, o que, consequentemente, pode proporcionar o aumento da clientela;

3. O contato direto com o público é um outro ponto importante e extremamente positivo para a fidelização de clientes;

4. O retorno imediato do público sobre as suas peças faz com que você saiba quais são as que estão dando certo e quais precisam ser melhoradas e modificadas;

5. Há nesses eventos uma expansão de relacionamento com os fornecedores.

Dicas para participar das feiras de artesanato como expositor

1. O primeiro passo é fazer uma lista com todas as feiras da sua região que você gostaria de participar. Verifique as datas e, principalmente, os preços de aluguel dos estandes. É interessante reservar sempre 10% do lucro dos seus trabalhos artesanais para investir em cursos, divulgação e, inclusive, em participação como expositor nesse tipo de evento.

2. Pesquise qual é a feira ideal para o seu negócio e para as suas pretensões. Existem feiras em que o objetivo dos visitantes é apenas conhecer, já em outras é comprar materiais e produtos prontos. Analise para descobrir qual é a melhor opção para atingir os seus objetivos.

3. Antes de fazer o seu cadastro, verifique as regras instituídas pelos organizadores da feira. Essas informações são fundamentais para você descobrir se realmente o tipo de evento te atende e para se enquadrar nos requisitos estabelecidos.

4. Para se cadastrar como expositor, você deve preencher um formulário que se encontra disponível no site da organização da feira. Você responderá a questões sobre o tipo de artesanato que faz e quais são as peças que pretende expor. Em alguns casos é necessário escrever um texto sobre o seu trabalho ou ainda pode haver um processo mais burocrático, como editais. Se atente para não correr o risco de ficar de fora.

5. Não deixe de planejar! É necessário planejar desde a criação dos produtos que serão expostos até a forma como eles ficarão à mostra no seu estande para despertar a atenção do público. Por isso, se programe com antecedência:

6.  E o mais importante: não se esqueça de divulgar a sua participação na feira. Publique em suas redes sociais e comunique aos amigos e familiares mais próximos para que eles contribuam com a divulgação boca a boca.

7. No dia do evento, leve materiais de divulgação, como cartões de visita e folhetos. Assim é possível que o público mantenha contato com você mesmo após a feira.

8. Além dos materiais de divulgação, leve um book do seu trabalho. Já que não conseguirá levar todos os seus produtos, essa é uma forma de fazer com que o público conheça as suas outras peças.

9. Não deixe de conversar com outros artesãos que estiverem expondo na feira. Cada um carrega uma bagagem e um conhecimento que podem ser aproveitados no seu negócio.

10. Não fique esperando apenas o público ir até você! Convide as pessoas para visitar o seu estande, converse e explique a sua arte. Essa interação faz toda a diferença na hora das pessoas escolherem um artesanato para levar para casa, além de levar a uma fidelização de clientes. ma dica é tentar ficar mais próximo à entrada, pois ao entrar na feira o público ainda não está cansado, não gastou o dinheiro e nem viu ainda produtos similares aos seus

Fonte: https://www.revistaartesanato.com.br/


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